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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Hoje sexta feira...

Segue a última parte do texto "Ética e Moral na Escola", de Paulo Ghiraldelli Jr. Desejo a todos uma excelente sexta-feira. Beijos...


O que ocorre na escola quando um aluno desconsidera ou mesmo agride um professor ou outros colegas?

Não se trata de um problema novo quando a questão é moral. Aluno “sem educação”, “sem berço”, como diziam as pessoas no passado, sempre existiu, existe e vai continuar existindo.

Quando os professores reclamam de faltas morais, eles não nos contam nada de novo. O novo seria, então, o possível aumento de atitudes que desconsideram a ética, ou seja, condutas que desrespeitam o que deveríamos seguir no âmbito da esfera pública, levadas adiante por jovens que, uma vez na escola, deveriam ali aprender a como se comportar na esfera pública – pois na esfera privada deveriam seguir os pais, ainda que se possa argumentar que isso não seria interessante diante da “pobreza” ou “do modo que a família estaria se fazendo atualmente”.

Assim, desrespeito verbal ao professor ou aos colegas pode ser um início de uma conduta moralmente indesejável, revelando uma atitude de “falta de modos” no âmbito familiar, e se enquadrando no campo da “falta moral”. Mas esse mesmo desrespeito verbal ao professor, se evoluiu para a idéia de que todo e qualquer aluno que faz a mesma coisa está agindo corretamente, “tem esse direito”, então o indivíduo que assim pensa e age está a um passo de começar a cometer “falta ética”. A escola como um todo, enquanto instituição social – uma instância da esfera pública – é um local em que todos da sociedade legitimaram e assim fizeram legitimando também funções que deveriam funcionar da seguinte maneira: o professor ali dentro é uma autoridade intelectual e moral, e o aluno ali dentro é alguém que, em princípio, deve segui-lo.

Quebrar essas regras não como indivíduo “sem modos”, mas como aquele que subverte o éthos, querendo que na escola não valha mais a autoridade intelectual e moral do professor, isso é uma “falta ética”.

É claro que cada caso é um caso. Leis gerais, sem ter o caso na mão, não valem. O desrespeito ao professor por parte de um aluno precisa ser caracterizado como desrespeito naquilo em que o professor está legitimado, por estar na escola, a fazer. Então, é necessário que tenhamos a história do caso na mão para qualquer julgamento.

Mas, no ponto de partida, devemos saber onde é que há a “falta moral” e onde é que há a “falta ética”. Se não sabemos isso, não saberemos qual tipo de punição aplicar. Pois “falta moral” pode ou não receber punição escolar. Muitas vezes é melhor que receba punição em seu local próprio, no lar. Mas a “falta ética”, nesse caso não: obrigatoriamente ela envolve a punição dada pela escola.

Psicólogos, filósofos da educação e outros, atualmente, confundem isso tudo. Então, aplicando as punições sem qualquer critério, criam pais revoltados, jovens deseducados, escolas fora de sintonia com a vida culta. Essas pessoas vivem dando entrevistas em revistas de educação, reiterando Adão e Eva. No caso, Adão olhou para seu filho como quem poderia deixar a briga acontecer, pois disputa entre irmãos seria disputa entre irmãos – seguindo a idéia de “extravasamento” da moral de Eva. Mas o fim foi o que conhecemos: Caim cometeu uma “falta ética”. No âmbito da cidade, matar é crime.

Suspensão do aluno das aulas e comunicação disso aos pais por causa de que o aluno disse ao professor “seu filho da puta”, pode ser um erro. Não digo que é um erro. Pode ser. Pois “seu filho da puta” pode ser um palavrão que indica uma “falta moral”, poderia ter sido corrigido em casa e, na falta da casa, pelo professor, em uma situação particular, fora da sala de aula – privadamente. Educação é educação moral, também.

Então, o professor, vendo isso, pode tentar entrar nessa seara que, enfim, sempre vai ser privada. Ele pode conversar com o aluno e “dar uma de pai”. Ver em que medida o linguajar, talvez permitido em casa, não seja bom em casa e seja pior fora dela, etc. Há mil e uma maneiras de mostrar, pragmaticamente, a desvantagem do palavrão.

Mas se o aluno monta um esquema ou uma situação para que o professor ou um colega seja visto como um “filho da puta” (uma pessoa sacana, bandida) sem o ser, então há uma falta ética. Pois nesse caso, não se trata do José da Silva, professor, que está sendo atingido, mas o Professor José da Silva.

Nesse caso, a instituição escolar enquanto instituição pode ter um código (de ética) que prevê punições, uma delas seria a suspensão da freqüentar as aulas por alguns dias, e a comunicação disso aos pais.

Se situações de “falta moral” e “falta ética” não são distinguíveis, nem mesmo chamando um filósofo da educação no local, então realmente as coisas vão mal. Daí para o professor e a própria escola perderem a legitimidade social que possuem, é um só passo. Não seria isso o que, em parte, está ocorrendo?

É triste ver que mesmo filósofos, uma vez envolvidos com o ensino, não saibam distinguir isso e tenham dificuldades de falar de ética e moral no âmbito da escola. É triste que eles voltem a culpar o professor ou a inventar frases reacionárias para suas entrevistas em periódicos ou na TV. Isso cansa. Isso poderia parar.

2 comentários:

Sônia Silvino disse...

Olá, amiga!
Lecionei por quase 28 anos e, a cada ano, a falta de educação e de limites de muitos alunos só aumentou. Nos últimos anos, eu já não estava aguentando mais. Graças a Deus, me aposentei. Muito triste dizer isso, mas é a minha realidade!
Te sigo. Convido você a conhecer os meus blogs!
Bjkas, muitas!

odetedan disse...

Fiquei sem folego de ver seus blogs...putz, cada um melhor que o outro. Parabéns. Beijos...

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